sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Besteiras do cotidiano-A sentinela do céu

Tô aqui sentado numa cadeira da sala A2 do centro espírita Seara Bendita. Conheci esta casa há um mês e o espiritismo a 27 anos. Esqueci o meu papelzinho e é ele que permite acesso a sala e determina o lugar no qual a gente senta. Informei a senhorizinha que me recebeu com um sorriso no rosto e disse:
_ Esqueceu a sua ficha?
_Sim
_Então escolha um lugar bem gostoso. E dá-lhe sorriso!
Acho que é por isso que gosto daqui. Agora chega outra senhora; liga uma música erudita e escreve, lentamente no quadro: "Segunda Oportunidade". É esse o tema de hoje.
Pedi um papel a senhora maravilhosa lá da porta e ela se dedica a achá-lo pra mim.
_Psiu! Menino, tá aqui. E mais um sorriso.
Comecei com minha mania de testes. Pedi algo que sustentasse o papel. Ela diz:
_Vá até o final desse corredor e pegue uma revista, mas tem que ser escondido. Eu morri de ri e falei:
_ Mas isso não é nada cristão! Ela diz:
_Cristo tem coisas maiores pra se preocupar, menino. Agora vá lá, pegue a revista e se você falar que fui eu quem mandou, eu nego. Mais um sorrisinho. Imagino que o céu deva ser asssim cheio de regras que são quebradas, toda hora, em função da generosidade e do amor. Imagino também que quando a gente chega no céu essa senhora tá lá na porta, com certeza. No final da palestra vou lá perguntar o nome dela. Vou agora! Tô com medo de perder meu lugar. Dane-se! Um último teste de paciência.
_Onde eu posso tomar água? Mas acho que não vai dar tempo. Tá quase começando.
_ Ali perto daquela árvore, disse ela. Dá tempo sim. Vai correndinho.
 Alguém grita: Dionízia, tá na hora de começar! Isso, Dionízia é o nome da senhora simpática sentinela do céu.

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