quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre a Jéssika

Galera, a Jessikinha tá nas últimas. Pra quem não sabe quem é ela (todo mundo) eu vou explicar. Eu conheci a Jéssika no supermercado a dois meses e pensei, imediatamente, que ela seria minha cara. Canceriana, calada, paradaça feito eu. É essa! Tenho certeza que ela não vai insistir pra eu cortar o cabelo e nem pra eu tirar o casaco,velho, xadrez pra ir na balada. Ou melhor, nem vai querer ir na balada. Vai fugir comigo toda vez que os menininhos e as menininhas começarem a rosnar uns para os outros na madrugada. E assim se fez. Fiz musiquinha pra ela: ô, ô,ô Jéssika você me aceita assim como sou... Conversamos várias madrugadas. Só a gente. E agora a Jéssika, minha plantinha, tá morrendo e eu tô com a impressão, estranhíssima, de que sou outra pessoa e que alguns passados morrem dentro da gente, mesmo que a gente não queira, pra que nasça algo, agora, bem mais bonito e que faça a gente feliz. Eu sinto cheiro de amor sereno (e é tudo que eu quero) a quatro minutos daqui e ele tem nome de uma lenda da água doce.

sábado, 18 de setembro de 2010

O monge-poeta de mentira

Ontem eu conversei com um velho amigo de Minas (o Zé) e fiquei muito feliz. Tinha um bom tempo que não falava com ele. Ele disse que lê sempre os meus textos e que acha-os tristes e cômicos. Eu pensei que gostaria muito que fossem apenas cômicos. Mas triste e cômico é exatamente como eu me sinto. Meu pai contava, sempre pra mim, a história de um homem que procurou a terapia por causa da tristeza. O terapeuta disse pra ele ir num circo no qual tinha um palhaço que tava fazendo muito bem aos seus pacientes. O homem disse que era ele o palhaço. Hoje, dia 18 de setembro de 2010, eu sou aquele palhaço também. Meus amigos me chamam de monge-poeta. Mas eu sei que não é verdade. Sou um monge de mentira que faz cara de que vive sereno e em paz sozinho mas tem uma plantinha chamada Jéssika para driblar a solidão. Idiota! E um poetinha de papel por ter amado uma vez e inventado todo o resto só pra escrever poesia. Egoísta! Cansei desse texto! Foi mal, Zé!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Besteiras do cotidiano-A sentinela do céu

Tô aqui sentado numa cadeira da sala A2 do centro espírita Seara Bendita. Conheci esta casa há um mês e o espiritismo a 27 anos. Esqueci o meu papelzinho e é ele que permite acesso a sala e determina o lugar no qual a gente senta. Informei a senhorizinha que me recebeu com um sorriso no rosto e disse:
_ Esqueceu a sua ficha?
_Sim
_Então escolha um lugar bem gostoso. E dá-lhe sorriso!
Acho que é por isso que gosto daqui. Agora chega outra senhora; liga uma música erudita e escreve, lentamente no quadro: "Segunda Oportunidade". É esse o tema de hoje.
Pedi um papel a senhora maravilhosa lá da porta e ela se dedica a achá-lo pra mim.
_Psiu! Menino, tá aqui. E mais um sorriso.
Comecei com minha mania de testes. Pedi algo que sustentasse o papel. Ela diz:
_Vá até o final desse corredor e pegue uma revista, mas tem que ser escondido. Eu morri de ri e falei:
_ Mas isso não é nada cristão! Ela diz:
_Cristo tem coisas maiores pra se preocupar, menino. Agora vá lá, pegue a revista e se você falar que fui eu quem mandou, eu nego. Mais um sorrisinho. Imagino que o céu deva ser asssim cheio de regras que são quebradas, toda hora, em função da generosidade e do amor. Imagino também que quando a gente chega no céu essa senhora tá lá na porta, com certeza. No final da palestra vou lá perguntar o nome dela. Vou agora! Tô com medo de perder meu lugar. Dane-se! Um último teste de paciência.
_Onde eu posso tomar água? Mas acho que não vai dar tempo. Tá quase começando.
_ Ali perto daquela árvore, disse ela. Dá tempo sim. Vai correndinho.
 Alguém grita: Dionízia, tá na hora de começar! Isso, Dionízia é o nome da senhora simpática sentinela do céu.