quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dorme com Deus, pai!

Domingo foi dia dos pais e eu só venho falar disso hoje porque descobri que para curar a dor às vezes é preciso fugir; às vezes é preciso deixar doer. Hoje é o dia de deixar doer. Meu pai partiu quando eu tinha treze anos e me deixou uma saudade violenta. Foi ele que me ensinou a devolver o troco quando vem a mais; ensinou-me também a ter calma e paciência nos momentos difíceis toda vez que ele dizia para minha mãe em resposta a sua pergunta: E agora o que a gente vai fazer? Não temos dinheiro. Ele sorria: Meu dinheiro é fêmea. Mas isso eu só fui entender depois. Lembro de como ele distraía a gente (eu e meus irmãos) enquanto minha mãe estava fora. Lembro também de como ele amava os amigos e isso me fez compreender aquela expressão que diz que a amizade é uma plantinha que você tem que regar. E como ele regava!  Lembro das piadas na sala; da dancinha engraçada; do colo quentinho e da perna que balançava enquanto eu encostava minha cabeça. Lembro de como ele confiava nos outros; como amava minha mãe e nossa família. Lembro, lembro, lembro... Hoje é o dia de deixar doer. A mãe tá bem, meus irmãos e toda a família. Dorme com Deus, pai!