segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Eu quero minha mãe

Quando fiz seis anos ingressei-me na escola e achei até interessante colorir, recortar e tal. Mas recreio, puxão de cabelo e soco na cara pra mim era a mesma coisa. Era bater aquele sininho infernal que meu coração disparava e vinha logo um menino lá da outra sala me bater e tomar minha merenda. Eu me acostumei tanto que depois eu já lhe entregava a merenda antes que ele erguesse o braço. Ele dizia: Não fale a ninguém.   Eu,obviamente, obedecia. Mas meus coleguinhas viam e um dia um deles contou a professora. Eu quase morri: Dizia: não, não, não... A diretora conversou com o menino que era bem mais velho, chamou minha mãe e disse que o problema estava solucionado. Mal sabia ela que o problema se desfez mas não por conta dela. No outro dia, minha mãe passou a colocar dois pães na minha merendeira-:um pra mim e um para Ernesto- e os socos se transformaram em abraços e os puxões de cabelo em papo no intervalo. Tornou-se meu amigo. Eu fui entender aquilo muito tempo depois. Que ele era muito carente, discriminado, marginalizado e que minha mãe é a melhor coisa do mundo inteiro. Por isso toda vez que fico triste lembro disso e a vida se faz alegria imediatamente. A saudade hoje tá braba demais. Eu quero minha mãe!

2 comentários:

  1. Ah Renato, agora eu descobri pq vc fugia da escola!!!hahahaa
    figura!!!

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  2. Me lembro que,vc pedia para ir ao banheiro e sumia.Largava sua mochila na escola e fugia para casa...rs Agora tah explicado neh!!!Mas eu tb tenho um trauma.Minha mãe me deixou na sala e disse que iria buscar lápis de cor no primeiro dia de aula...Ateh hj estou esperando esses benditos!!!rsrsrsrs Valeu!

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